E VIVI O MEU FIM DO MUNDO.

Quando recebi a notícia que eu era portador do vírus HIV, foi naquele momento que vivi o meu fim.
Sonhos, planos, projetos, quando olhei naquele teste rápido  marcando dois riscos constatando que não era gravidez e sim que eu era Soropositivo, meu mundo veio ao fim, meu lindo dia de sol, se tornou cinzento e vazio.
Meu sentimento foi de morte, o fim da minha vida, tudo o que estava planejando, o “Marcos” que eu havia pedido em namoro a dois dias antes, e a resposta foi : vou pensar e avaliar, se tornou em um buraco, em um vazio dentro de mim, mas a maior preocupação, o que eu fiz com a vida do “Marcos”, pois havíamos recentemente transado sem preservativo, e eu estava carregando o que pra mim era uma bomba relógio, que explodia em cada pessoa que eu tocasse, ou tentasse me aproximar.
Com o resultado em mãos, informei ao “Marcos” que precisava falar com ele e fui ao seu encontro, em prantos não conseguia olhar pra ninguém dentro do ônibus, apenas escorria as lágrimas,  no caminho antes de encontrar o mesmo,  parei em um bar e pedi algumas cervejas, o encontro com “Marcos” não seria fácil, aliás pra mim, iria contar ao mesmo que sua vida estava chegando ao fim.
O encontro foi o momento de muitas emoções, meu pensamento será que ele vai me apoiar, vai estar comigo, vou receber o apoio dele, aliás ele era a minha maior preocupação naquele momento, a vida dele poderia receber o mesmo fim que a minha, mas lá no fundo, no mais profundo do meu coração a certeza era uma só, “Marcos” iria naquele momento, desistir de nós,  e isso só trazia uma certeza pra minha vida, o fim dela chegou junto com os dois riscos daquele maldito teste rápido.
Encontrei “Marcos”, subimos ao seu apartamento, e logo dei aquele abraço, confesso que foi torturador, sem muito entender, pois já estava em prantos, pois naquele momento , recebia o conforto do melhor lugar do mundo pra mim, a pessoa que eu confiava, estava amando, e que enterraria todos os planos e projetos para uma vida a dois, quase não conseguindo falar e gaguejando muito, falei pro “Marcos”, e sem reação ele foi fumar de  uma maneira desesperada.
Não conseguia olhar para ele, me sentia sujo, imundo, mas pedi para o mesmo realizar o exame, sme muito jeito e também sem chão fui embora da casa dele, pois naquele momento eu precisava apenas chorar, o mesmo foi no dia seguinte realizar o teste, e aquele alívio mesmo que de momento, ele não estava infectado.
Por mais que de momento as pessoas tentam e dizem que não irão se afastar, é inevitável que o preconceito, a falta de informação, o medo de viver com alguém que é portador do vírus, e a falta do verdadeiro amor se encarregue de afastar, passou uma semana e “Marcos” se afastou, o que foi muito difícil pra mim naquele momento, pois era em quem me apoiava é um dos únicos a quem eu tinha contado a não ser um amigo mais próximo.
Com um turbilhão de sentimentos, com medo de ficar sozinho, passei alguns dias sem conseguir dormir, pensar, trabalhar,  pois o que me matou não foi o vírus, que é tão pequeno e insignificante, e sim a falta de informação sobre o HIV.
Hoje com muito mais informações, conhecendo mais o vírus, como digo o meu amigo oculto para o resto da vida, e pretendo viver por muitos anos, seja com ou sem o “Marcos”, aliás aqueles dois riscos do teste rápido, só me trouxe mais conhecimento e agora muito mais vontade de viver e seguir em frente com  meus planos e projetos, cuidando  mais do meu corpo, pois é onde eu hábito, tendo uma vida muito mais saudável, com regras e disciplina, e também como um propagador de conhecimento.
Iniciei projetos novos, regras, maneiras de viver diferente, hoje não penso mais que meus sonhos, projetos se acabaram, que minha vida chegou ao fim, o que acabou foi a falta de irresponsabilidade, a falta de conhecimento, o meu preconceito, hoje eu digo que eu tenho novas oportunidades, tenho uma nova chance.
Abri meu coração para pessoas que criei coragem, e que carrego como família,  que me apoiam, ajudam, que sempre estendem a mão quando preciso, me dão um colo amigo,  pessoas que se tornaram meu alicerce de vida.
Meu universo expandiu, conheci novas pessoas,  portadores do HIV, e tenho ajudado com o pouco conhecimento que tenho, pessoas que assim como eu viveu, ou estão vivendo o seu fim do mundo, a pensar na oportunidade que elas têm, na qualidade de vida que se pode ter, que o único fim do mundo, a única coisa que tem que ser enterrada a partir daqueles dois riscos, é a falta de prevenção.
Hoje dia mundial da Luta contra a AIDS, decidi contar o meu fim do mundo, mas um mundo caótico que eu vivia e cheio de irresponsabilidade, hoje trago muito amor e uma vontade de imensa de fazer o bem, nesta luta, é melhor prevenir, mas se por algum motivo acontecer a infecção, não desista de você.
Um abraço “Felipe Morais”.
Personagens Fictícios, história real.

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